PMMA: O que pode dar errado no Preenchimento Facial?

O PMMA tem estado envolvido em vários casos polêmicos nos últimos anos. Então, vamos falar um pouco sobre o uso desta substância, o que pode dar errado e descobrir se ela é realmente a vilã da história.

O PMMA e sua história

PMMA é a abreviação de Polimetilmetacrilato conhecido comercialmente como Metacril.

É um polímero utilizado como preenchedor, que é biocompatível e se apresenta no formato de microesferas sintéticas.

Na medicina é utilizado há mais de 70 anos em cirurgias reconstrutivas e neurológicas. Podemos citar como exemplo, a composição do cimento ósseo e no material para fechamento de calota craniana.

Sua popularização ocorreu após liberação por parte do FDA, para uso em procedimentos de Bioplastia de Reconstrução Facial em pacientes com Lipodistrofia.

A finalidade maior é ajudar a reconstruir regiões do corpo que, seja por acidente ou patologia, tenham sofrido perda de forma e volume naturais.

E quando aplicado de forma adequada, proporciona a elevação da topografia dérmica, preenchendo e reconstituindo a área tratada.

O PMMA no Organismo Humano

Já sabemos que este é um Biomaterial classificado como Preenchedor Permanente.

O PMMA não pode ser fagocitado após sua aplicação, ou seja, não pode ser “digerido” pelos fagócitos, é definitivo e não é absorvível pelo organismo humano.

Sendo assim, após ser aplicado fica “aprisionado” entre a base óssea e a musculatura da área preenchida. E passa do formato em gel (como é apresentado) para o sólido.

Em resumo: É criada uma cápsula fibrosa em volta do produto, que impede sua migração deformidades por deslocamento.

O uso irracional e inconsciente pode trazer sérios problemas a quem se submete à tratamentos, muitas vezes clandestinos, feitos por indivíduos que desconhecem as propriedades do produto.

O que pode dar errado no Preenchimento Facial com PMMA?

Atualmente, a Harmonização Facial tem sido a primeira opção de tratamento antes das correções cirúrgicas.

Produtos absorvíveis como o Gel de Ácido Hialurônico, Colágeno, Ácido Polilático e a Hidroxiapatita, são os mais utilizados.

Estes são classificados como Preenchedores não Permanentes e que não oferecem risco biológico ao organismo.

Afinal, podem ser metabolizados ou fagocitados gradualmente no período de até 24 meses, dependendo do volume implantado.

Ao contrário dos Preenchedores Permanentes. Portanto vamos entender o que pode dar errado com o seu uso na HOF.

Imagine a seguinte situação:

Você recebe um paciente que já tem preenchimento permanente na face e o procedimento foi feito por outro profissional, há muito tempo.

É possível prosseguir com o atendimento e realizar procedimentos de preenchimento com Gel de Ácido Hialurônico, por exemplo?

Sim, é perfeitamente possível prosseguir e iniciar o tratamento adequado ao caso.

No entanto, você deve tomar os devidos cuidados para não atingir aquela cápsula fibrosa que citei antes. Lembra dela?

Por outro lado, se você esquecer e rompê-la no ato da aplicação, vai “despertar a fúria” do macrófago.

Resultado: O macrófago vai fagocitar o corpo estranho ao organismo e causar uma reação inflamatória granulomatosa tardia.

Um palavrão, não é mesmo? E certamente um belo problema para você resolver.

Além disso, o produto pode começar a migrar e gerar assimetrias graves na face do seu paciente.

Complicações tardias dos Preenchimentos Permanentes

Os preenchedores utilizados na Harmonização Facial devem ser seguros e eficazes.

A segurança dos procedimentos e a prevenção de complicações ao longo prazo, são prioridade.

E eu falo sobre essas questões no meu Curso EAD sobre Intercorrências.

O uso Preenchedores Permanentes para fins estéticos já trouxe resultados imediatos e duradouros para muitas pessoas, mas por outro lado, pode se tornar caso de necessidade cirúrgica devido à complicações tardias.

As consequências da cirurgia de remoção da cápsula fibrosa, além dos Gaps (vazios) na face, são a tomada da pele, da gordura, dos músculos e até necrose.

Os casos mais comuns ocorrem na glabela e sulcos nasogenianos. Regiões extremamente perigosas, devido a presença das veias supratrocleares bastante superficiais.

O tratamento de complicações tardias é algo longo e difícil, tanto para o paciente quanto para o profissional responsável.

É possível reverter o efeito do Preenchimento Permanente?

Há casos que, após cirurgia e tratamento terapêutico, o preenchimento com biomaterial absorvível na área afetada ajuda, mas consequentemente, restarão sequelas e a necessidade de cuidado constante.

Em contrapartida, há casos tão complexos que podem custar a vida do paciente, quando o PMMA é corrompido pela aplicação de outras substâncias, como já vimos na mídia contemporânea.

Na minha opinião, o responsável nos casos de complicação (na maioria das vezes) não é o produto e sim o profissional.

Seja por negligência ou pura falta de conhecimento técnico e domínio de anatomia.

O PMMA não é ilegal no Brasil. A ANVISA autoriza o seu uso, indicado para cirurgias reparadoras, em caso de perdas volumétricas no corpo por doença ou acidentes.

Até então, você já entendeu que deve trabalhar longe da cápsula fibrosa, para evitar complicações caso receba um paciente com preenchimento permanente.

E certamente que deve se preparar, buscar habilitação e treinamento adequados, para tornar-se um especialista de primeira linha.

Entre outros fatores que vimos neste texto, a respeito da conduta responsável na Harmonização Facial.

A Plataforma EAD Diogo Melo pode te ajudar a trilhar um caminho mais sólido e seguro na área.

Domine as técnicas e torne-se um profissional de sucesso!

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Vou deixar vocês com um vídeo onde falo mais sobre PMMA.

Cuidem-se e até a próxima,
Dr Diogo Melo.

Este e outros vídeos estão no Canal Diogo Melo Harmonização Orofacial no Youtube.

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